segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

grávido a la nietzsche

meu coração está grávido de músicas.. de canções!
minha rotineira taquicardia são as dores de parto cardíacas..

cada qual consigo mesmo. com seu orgão 'sem conserto'...

e parto normal. sem a pontualidade de uma cesariana! por favor...
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Albatroz


Escrevi uma canção baseada nesse poema de Charles Baudelaire. Um albatroz-gigante pode ter a maior envergadura dos pássaros, no entanto, suas imensas asas lhe prejudicam ao pousar, de andar em terra. Não haveria maior semelhança.


"O Albatroz
Para se divertir, os marujos costumam
Pegar um albatroz, grande ave do mar,
Companheira indolente dos barcos que rumam
Para os mares do Sul, abismos a cruzar.

Fisgado pelo anzol, atirado ao convés,
Este rei do azul, triste, desajeitado,
Para fugir arrasta seus enormes pés
E deixa as asas brancas caídas de lado.

Aéreo viajante, tão fraco e nanico!
Antes belo, agora feioso bufão!
Alguém com um tição espicaça-lhe o bico;
Outro a mancar imita o alado aleijão.

O Poeta é igual ao rei do firmamento
Que ri da tempestade e das flechas no ar;
Exilado no chão, cercado de tormento,
As asas de gigante não o deixam andar."

(O original é em francês, chamado: 'L'Albatros" de Charles Baudelaire.)


já estou tendo o prazer de tocá-la com o Contraplonge. Ela, na verdade, entra indiretamente no nosso disco como a imagem da contra-caixa interna. Logo, logo, a tocaremos ao vivo.


"continua". sempre.
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

mundo de amelie


O tempo tá passando e as estações estão mudando, continuamente, desde não sei quando. Houve um momento que não estiveram, ou sequer se preocupavam ou me preocupava. Ordem natural das coisas... Eu começo a engolir o amargo, o apurando. Como o uísque que até ontem era intragável. As papilas depuraram, decodificaram e se encarregaram de enviar uma breve aprovação ao cérebro, como se dissessem: "- agora temos coisas em comum, meu caro." Não que as outras coisas tenham perdido gosto... Que a coca tenha perdido o seu doce. Não que as outras cores tenham se desbotado... Mas hoje há quem entenda o sépia, a escala cinza. Mas que entenda o colorido acordeon servindo de paisagem pra uma poesia francesa.
Tô aqui, não pra admitir meu "envelhecimento" (seja lá o termo que prefiram usar), pelo contrário, entender que se quisermos, quando quisermos, podemos colocar uma tuba marchante nessa trilha e fazer disso tudo, uma fanfarra circense! Pintamos o nariz e saímos pulamos por aí...
O privilégio de vivenciar intensamente a arte que amo me traz conseqüências, algumas vezes desastrosas! Reflexões, crises existenciais... Perguntas como: "o que diabos eu tô fazendo aqui?" Embora respostas venham sem avisar, de qualquer direção, as perguntas encurralam e é pra respondê-las que envelhecemos, certo?
Outro dia li o texto de uma moça que se denominava "do contra", usando alguns destes argumentos. Pena, raríssimas 'do contra' existirem por aí, eu digo antecipadamente. Reclamou da insegurança. O delicadíssimo detalhe que é a insegurança feminina, embora firmeza e certeza tivessem transbordado daquele texto! Forte e insegura, inexplicáveis adjetivos que funcionam bem com Elas. Embora ela fosse uma menina, aquele "gole de uísque" ela já havia apurado, e de certo, brindado a alguma virtude que lhe deva ser peculiar, como seu sorriso.
Mas enfim, tudo acaba assim mesmo, como uma idéia suspensa e não conclusiva. Nada a ser respondido ou mesmo, que tenha sido perguntado. Como a ida de uma subdominante pra dominante, sem cair em repouso. Porque é nela, nessa inquietude que moramos, que compreendemos nossos cabelos brancos que andam crescendo ultimamente.
Escrevo pra ir à frente, colocando pra jogo minhas linhas no rosto àqueles que tenham medo de deixar suas Terras do Nunca. Aqui do lado de fora andamos um pouco mais grisalhos e do contra sim, é verdade! Maaas, embora um tanto mais “competitivos”, também sabemos como jogar bola, andar de bicicleta, soltar pipa, jogar bola de gude...
O tempo tá passando e as estações tão mudando, continuamente, desde não sei quando, e há quem não esteja percebendo. Há quem não queira perceber...
Que de crianças, preservemos a pureza e a vontade de fazer, de aprender. De bagunçar. Só que agora, tudo tem a sua hora.

Vivamos num mundo real, mas como o daquele de Amelie.

(Eu recomendo: Yann Tiersen & Lisa Germanos - La Parade do disco L'Absente.)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

síndrome de estocolmo


tenho estado sozinho, ainda que envolto de tantos amigos e companhias, depois de um "sequestro".

não foi um daqueles -relâmpago, facilmente desatados. Durou o tempo necessário pra que eu desenvolvesse a síndrome! Ela, um estado psicológico que é desenvolvido por pessoas que são vítimas de seqüestro que, CONTUDO!, criam empatia com seu(sua) sequestrador(a) (...no caso). Um dúbio comportamento de afetividade e ódio, simultâneamente, inexplicável.
tenho que lidar com a falta do cativeiro onde estive preso.

Não se imagina a dor que isso causa.

Tenho estado sozinho, ainda que envolto dos que mais amo. Tenho me conhecido, reclusamente, recusando o mundo. Tenho me dedicado, pra "passar o tempo".

Como isso é possível hoje? eu não sei.

Egocêntrico, sempre me achei impassível a alguns estados psicológicos como esse. E é mais um paradigma que quebro!

ver o que estou vendo é privilégio (?!) de poucos, viver é privilégio único.

ao menos, tenho me tornado um melhor pianista.

(essa é uma página de diário.)
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