quarta-feira, 1 de outubro de 2008

mundo de amelie


O tempo tá passando e as estações estão mudando, continuamente, desde não sei quando. Houve um momento que não estiveram, ou sequer se preocupavam ou me preocupava. Ordem natural das coisas... Eu começo a engolir o amargo, o apurando. Como o uísque que até ontem era intragável. As papilas depuraram, decodificaram e se encarregaram de enviar uma breve aprovação ao cérebro, como se dissessem: "- agora temos coisas em comum, meu caro." Não que as outras coisas tenham perdido gosto... Que a coca tenha perdido o seu doce. Não que as outras cores tenham se desbotado... Mas hoje há quem entenda o sépia, a escala cinza. Mas que entenda o colorido acordeon servindo de paisagem pra uma poesia francesa.
Tô aqui, não pra admitir meu "envelhecimento" (seja lá o termo que prefiram usar), pelo contrário, entender que se quisermos, quando quisermos, podemos colocar uma tuba marchante nessa trilha e fazer disso tudo, uma fanfarra circense! Pintamos o nariz e saímos pulamos por aí...
O privilégio de vivenciar intensamente a arte que amo me traz conseqüências, algumas vezes desastrosas! Reflexões, crises existenciais... Perguntas como: "o que diabos eu tô fazendo aqui?" Embora respostas venham sem avisar, de qualquer direção, as perguntas encurralam e é pra respondê-las que envelhecemos, certo?
Outro dia li o texto de uma moça que se denominava "do contra", usando alguns destes argumentos. Pena, raríssimas 'do contra' existirem por aí, eu digo antecipadamente. Reclamou da insegurança. O delicadíssimo detalhe que é a insegurança feminina, embora firmeza e certeza tivessem transbordado daquele texto! Forte e insegura, inexplicáveis adjetivos que funcionam bem com Elas. Embora ela fosse uma menina, aquele "gole de uísque" ela já havia apurado, e de certo, brindado a alguma virtude que lhe deva ser peculiar, como seu sorriso.
Mas enfim, tudo acaba assim mesmo, como uma idéia suspensa e não conclusiva. Nada a ser respondido ou mesmo, que tenha sido perguntado. Como a ida de uma subdominante pra dominante, sem cair em repouso. Porque é nela, nessa inquietude que moramos, que compreendemos nossos cabelos brancos que andam crescendo ultimamente.
Escrevo pra ir à frente, colocando pra jogo minhas linhas no rosto àqueles que tenham medo de deixar suas Terras do Nunca. Aqui do lado de fora andamos um pouco mais grisalhos e do contra sim, é verdade! Maaas, embora um tanto mais “competitivos”, também sabemos como jogar bola, andar de bicicleta, soltar pipa, jogar bola de gude...
O tempo tá passando e as estações tão mudando, continuamente, desde não sei quando, e há quem não esteja percebendo. Há quem não queira perceber...
Que de crianças, preservemos a pureza e a vontade de fazer, de aprender. De bagunçar. Só que agora, tudo tem a sua hora.

Vivamos num mundo real, mas como o daquele de Amelie.

(Eu recomendo: Yann Tiersen & Lisa Germanos - La Parade do disco L'Absente.)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

síndrome de estocolmo


tenho estado sozinho, ainda que envolto de tantos amigos e companhias, depois de um "sequestro".

não foi um daqueles -relâmpago, facilmente desatados. Durou o tempo necessário pra que eu desenvolvesse a síndrome! Ela, um estado psicológico que é desenvolvido por pessoas que são vítimas de seqüestro que, CONTUDO!, criam empatia com seu(sua) sequestrador(a) (...no caso). Um dúbio comportamento de afetividade e ódio, simultâneamente, inexplicável.
tenho que lidar com a falta do cativeiro onde estive preso.

Não se imagina a dor que isso causa.

Tenho estado sozinho, ainda que envolto dos que mais amo. Tenho me conhecido, reclusamente, recusando o mundo. Tenho me dedicado, pra "passar o tempo".

Como isso é possível hoje? eu não sei.

Egocêntrico, sempre me achei impassível a alguns estados psicológicos como esse. E é mais um paradigma que quebro!

ver o que estou vendo é privilégio (?!) de poucos, viver é privilégio único.

ao menos, tenho me tornado um melhor pianista.

(essa é uma página de diário.)
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

desperdício

ela é música demais pra pouquíssima compreensão.

que desperdício...

salve Piazzolla.

eu, desperdiçando recomendações.
destilando a boa música e desperdiçando o bom gosto.

[invierno porteño - astor piazzolla]

mesmo poucas merecendo:



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terça-feira, 12 de agosto de 2008

here we go...


- se você me der apenas 6/8 semanas eu posso resgatar a milhagem, então posso ir com você pra onde você tiver que viajar...

[beijo]

- então aqui vamos nós...


"you've gotta hope that there's someone for you strange as you are.. who can cope with the things that you do without trying too hard..."

(Here we go - Jon Brion)


[filme Punch-Drunk Love]
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